Fonte da foto: Pplware-SAPO
Não é mais apenas quarta-feira e
domingo. Hoje temos uma realidade bem diferente da que era quando eu
acompanhava futebol pela tevê nos primórdios dos anos 80. Era apenas dois dias
na semana e olha lá. A maioria dos jogos rolava mesmo no velho e preto motorádio.
E antes de ter a retangular na minha casa, eu assistia a redonda na casa do Seu
Jeová e, quando dava, pela janelinha na casa do seu Aristides.
Operação Mutum, livro resenhando
recentemente por mim (No blog Resenhas do Cláudio) trouxe o contexto do
futebol guaximense nos anos 70. A
realidade daquele tempo comentei na resenha O Futebol de Mutum Dentro Das Quatro Bombas. José Araujo de Souza escreveu: “Naquela noite de quarta-feira, como
aconteciam todas de quarta e de quinta-feira e nas tardes de sábado e de
domingo, um grupo de torcedores se reunia no Bar do Paulo e em outros locais
onde havia algum aparelho de televisão exposto ao público, para assistirem a
jogos de futebol.”
Voltando aos meus anos de
primavera, somente a rede globo com o carioca e o paulista. Galo, Cruzeiro ou
América era na Itatiaia ou Inconfidência. Por este fato, sou até hoje
simpatizante das narrações esportivas pelo rádio, e começo um conto em O
Castelo de Alice com quase uma página descrevendo uma narração. Hoje, quando
dá, os podcasts como Posse de Bola, atualizam as resenhas de antes e depois das
partidas, são bem vindos.
Mas a retangular chegou à minha
casa, e com ela a redonda na Copa de Mundo de 1996. Depois veio os campeonatos
Japonês e Italiano na Bandeirantes, a gente ainda não havia encurtado para
Band. A televisão do João Saad, sob a coordenação de Luciano do Valle trouxe
VTs do inglês, espanhol, português... nas noites dos demais dias da semana. A coisa
pegou mais ou menos.
Já neste século, com alguns tentáculos
na última década do anterior, apareceu o SporTV, ESPN e algum outro. Aí tivemos
acesso as grandes ligas da Europa e algumas de segundo patamar como a holandesa,
escocesa, portuguesa, russas, etc.
Melhorou. Daí veio o Esporte Interativo
como canal, com uns caras meio estranhos, custou chegar na Sky e outras TVs
pagas quando começou a transmitir a Copa do Nordeste. Um pouco tarde para nós
do Brasil chegou a Fox.
Streaming mesmo que tentou ser
independente foi o DAZN que tirou o francês e o italiano da retangular da TV e
levou para o celular, notebook e assemelhados. Abocanhou a Sulamericana, Copa
da Inglaterra e outros. Aí a pandemia empobreceu o canal. Por ele vejo apenas,
no momento, a Série C, em parte na primeira fase já que compartilhou com a TV Nsports,
e o turco.
O futebol alternativo mesmo,
alagoano, piauiense, capixaba, por exemplo, ocupou o Youtube. Os canais de
apostas entraram na parada. Aí veio o Mycujoo como aplicativo. Teve seu nome
queimado com a experiência do Flamengo em 2020. Mudou para Elevensports. Frustra
um pouco quando Elevensports e Onefootball vai deixando de ser cada vez mais
grátis e se enchendo de streamings pagos. Seja de campeonatos como carioca,
paranaense e catarinense que estava ano passado com a quase desconhecida TV WA
(Walter Avancini), seja como moldavo, terceira divisão italiana e belga.
Com a compra da Fox pela Disney,
surge o mais poderoso streaming de esportes no momento, o Star Plus. E esta é a
nossa realidade hoje. Vá que alguém escreva algo como José Araujo de Souza em seu romance histórico, sobre o momento hoje? Vai ter que falar de mais de 40 campeonatos, e não somente no bar do Paulo, dá para ver no recreio também, e até, escondidinho, durante a missa ou o culto (Mas aí já é fanatismo demais).
O fato é que está pulverização
que parecia ser promissora, gerando uma onda de empregos para narradores,
comentaristas e para o pessoal envolvido tecnicamente com uma transmissão,
esbarrou na pressa, fazendo com que houvesse muita borrifação de partidas. Um
mesmo campeonato ser transmitido por vários canais que vai da TV paga, aplicativos,
Youtube e Twitter, sem falar do Facebook e Tik Tok. E como fica nossa cansada
cabeça de torcedor exclusivo de um time, para quem gosta do futebol de alto
nível, ou para quem gosta também dos alternativos como eu?
A verdade é que não basta para um
clube não assinar com a Globo com toda sua expertise, não basta um aplicativo.
Veja o cruzeiro na sua estreia contra o URT (quarta-feira, 26 de janeiro de
2022). Ele vendeu seus jogos para o jornal O Tempo que contratou a empresa do
João Palomino, ex-ESPN, a LiveSports. Não deu certo. Quando dei uma passada
pelo Youtube estava lá o cruzeiro jogando. Pensei que tinha assinado sem
querer. Mas não. Como não deu certo no streaming, jogaram o primeiro jogo de
graça na velha plataforma de vídeo. No Premiere as transmissões foram picadas
em um determinado momento. Já o Nordeste FC não coloca a programação correta na
TV e nem no seu site. Como disse Allan Simon nos seu canal no Youtube, Futebol
vive noite de terror na mídia esportiva, referindo aos erros que aconteceu com
o início dos principais estaduais do país. E realmente foi. A noite desta
quarta-feira vai entrar para história. A Record que merece uma crônica a parte,
acabou perdendo em audiência para Carinha de Anjo. De fato, a Record com seu
público evangélico parece não fazer com que ele assista futebol. O problema é
que Carinha de Anjo tem como uma de suas ambientações um colégio de freiras,
instituição católica.
Veremos neste final de semana
como será. Talvez seja menos terror. Mas vai ser ao menos um gótico. |
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